- CONVENIO COM APEOESP(Sindicato dos professores) - ATENDEMOS TODOS OS CONVÊNIOS POR REEMBOLSO. Abordagem cognitivo-comportamental- RÁPIDA E EFICIENTE no tratamento dos mais diferentes quadros apresenatados por crianças, adolescentes e adultos. O tempo necessário para esse processo é geralmente menor em comparação á maioria das outras abordagens.
sexta-feira, 16 de maio de 2014
TERAPIA DE CASAL
OLÁ BOM DIA!
VAMOS CONVERSAR SOBRE TERAPIA DE CASAL EM BREVE.
ESTAMOS COM UM NOVO PROJETO PARA AJUDAR OS CASAIS QUE ESTÃO COM QUESTÕES MAL RESOLVIDAS NO CASAMENTO E QUE LEVAM A MUITO SOFRIMENTO CHEGANDO ATÉ A SEPARAÇÃO.
PROCURE UM PSICÓLOGO.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
O SEXO DOS FILHOS INFLUENCIA NA EDUCAÇÃO
O sexo dos filhos influencia na educação?
Meninos são agitados e adoram futebol; meninas são delicadas e só querem saber de princesas. Mas até que ponto as crianças devem ser criadas somente pela sombra dos estereótipos? E o que elas têm a ganhar quando os pais se preocupam em diversificar?
Pense no seu filho desde o primeiro segundo que o viu. Ou, melhor: lembre-se dos chutes que ele dava ainda dentro da sua barriga e conte-nos se não ouviu um “ah, vai ser artilheiro” ou “uma menina chutando? Vai virar bailarina”. E por que nunca a brincadeira acontece ao contrário? Basta ter o resultado positivo para você ou um parente dizer: “Não vejo a hora de saber o sexo para ter certeza do que comprar!”. O “ser menina” e “ser menino” começa já na gravidez, junto com a escolha da cor do quarto, dos tipos de roupa e até mesmo dos primeiros brinquedos. Meninos e meninas são diferentes, sem dúvida. Mas não quer dizer que eles não possam sair dos estereótipos. Aliás, é bom que saiam, pois só assim terão realmente oportunidades iguais. E, por mais contraditório que pareça, para ter essa “igualdade” é preciso educar de forma diferente. Quer um exemplo? Recente estudo norte-americano apontou que as mães conversam mais sobre matemática com os meninos do que com as meninas. Uma explicação é que seria mais fácil falar com eles, que têm uma aptidão inata para o assunto. Mas é justamente a suposta dificuldade das meninas que exige um esforço a mais dos pais. Ou seja, deve-se falar mais sobre o tema com elas do que com eles. Mesmo tendo características distintas, meninos brincam de casinha e meninas de carrinho. Eles também choram e elas têm temperamento agressivo. E ambos podem ser estimulados nas tarefas domésticas. Eles vão ser criados de forma diferente, seja pela razão biológica, seja pelas regras sociais, porém, vão aprender muito a partir do momento que tiverem experiências parecidas.
Você vestiria seu filho de rosa? Não é preciso ser um especialista no assunto para saber que as roupas nos revelam. E se não nos deixássemos identificar como homens e mulheres por meio delas? Essa ideia virou notícia depois que pais de vários cantos do mundo anunciaram que criavam os filhos fora dos padrões femininos ou masculinos. Um casal inglês, por exemplo, omitiu por cinco anos a identidade de seu filho mais novo, que usava roupas da irmã e do irmão. Tudo porque a criança estava prestes a entrar na escola e, claro, ficaria bem mais complicado deixá-la assim tão fora dos padrões. No Brasil, a pesquisadora e professora da USP, Clotilde Perez, também identificou um grupo de jovens de 18 a 24 anos que estudiosos vêm chamando de “menines”, fenômeno já visto em outras partes do mundo. Eles se vestem de maneira que as marcas da sexualidade fiquem imperceptíveis. “É uma postura ideológica. A menina não se veste de menino, mas ‘borra’ sua identidade, usando calça larga e outras coisas que ocultem as marcas da sexualidade segundo os estereótipos”, explica Clotilde, que passou um ano estudando o comportamento deles.
Conversamos com especialistas, pais e mães que, como você, se perguntam: será que tudo o que estou fazendo é o certo?
Por que o rosa e o azul?
Em livro recém-lançado, historiadora norte-americana destrincha o porquê das cores na vestimenta de meninos e meninas
A norte-americana Jo B. Paoletti, membro da Associate Professor of American Studies, da Universidade de Maryland, acumula 30 anos pesquisando e escrevendo sobre as roupas das crianças nos Estados Unidos e suas diferenças por causa dos gêneros. Mas o livro Pink and Blue - Telling the Boys From the Girls in America (Indiana University Press, algo como Rosa e Azul - Diferenciando Meninos de Meninas na América), lançado em janeiro, começou com a pergunta: quando passamos a vestir meninas de rosa e meninos de azul?
CRESCER: De que maneira os estereótipos das roupas refletem no comportamento de meninos e meninas?
Jo Paoletti: Se a roupa das crianças for idêntica, exceto pela cor, provavelmente não teria nenhum impacto. Há muitas diferenças subliminares. Sabemos de estudos nos anos 1970 que meninas que usavam calças e shorts eram mais ativas no parquinho, enquanto as que usavam vestidos tendiam a se sentar e falar ou assistir às outras brincarem. Já as roupas dos meninos são resistentes e de tecidos escuros, que lhes permitam brincar muito. O cabelo deles precisa de menos arrumação. As meninas aprendem que ser bonita é importante, tanto por causa do jeito que as vestimos, mas como reagimos, comentando sobre sua aparência. E os meninos aprendem a reprimir seu desejo de cor e enfeites, assim como não expressar algumas emoções.
C.: Mas nós criamos e vestimos meninos e meninas diferente porque são mesmo diferentes, ou eles são diferentes porque os criamos e vestimos assim?
J.P.: Penso que cada um é individualmente diferente e que mais importante do que confiná-los em classes seria respeitar e educá-los como indivíduos unicamente diferentes. Uma menina que prefere brincar quieta e adora cores suaves ficará mais confortável no estereótipo feminino, e um menino que é muito ativo e adora construir coisas ou brincar de carrinho se encaixará bem no conceito de masculinidade da cultura moderna. Mas a maioria das crianças não está nesses extremos, e não é raro para uma menina ou menino gostar de cozinha e construir, ou de arte e esportes. Há limites nesses rótulos.
C.: A atriz Angelina Jolie por duas vezes chamou a atenção da mídia mostrando a filha vestida como um menino. Para você, as crianças podem navegar entre um e outro universo?
J.P.: Estudos recentes indicam que a maioria das crianças que faz isso até 4 anos está apenas brincando de se fantasiar. As opções para se vestir atualmente dos EUA tornam a situação mais confusa para a criança, porque há pouquíssimas escolhas neutras. Elas têm dois estereótipos, e o que vão fazer se não se encaixam no que corresponde ao seu sexo biológico? (Digo isso como uma mulher que foi uma “tomboy”, que odiava usar vestidos e queria ser um cowboy quando crescesse. Na década de 1950, meninas e meninos podiam vestir as mesmas roupas de brincar, porque havia estilos mais neutros disponíveis.)
Um pelo outro
Dica número 1: não siga regras. “O ser humano é diverso. E o que é mais importante na hora de educar: dar só uma única forma de pensar ou opções para a criança escolher?”, diz o psicólogo Marcelo Labaki, pesquisador do Laboratório de Estudos da Família, Relação de Gênero e Sexualidade da USP.
Se, criado próximo ou longe de meninas, seu menino quiser usar um tutu de bailarina no próximo sábado à tarde, apenas deixe que brinque. “Existe uma vigilância exagerada de que se menino brinca de princesa ele será homossexual e a criança está explorando e não fazendo escolhas de parceiro ou parceira. É duplamente preconceituoso, primeiro porque nessa idade pré-escolar as crianças não estão determinando objeto de desejo. E, segundo, porque é uma ideia homofóbica, pensando que um tipo de pessoa é melhor que outro”, diz a pedagoga Maria Cristina Cavaleiro, do Grupo de Estudos de Gênero, Educação e Cultura Sexual da USP.
Tudo isso passava pela cabeça de Cheryl Kilodavis, uma norte-americana que ganhou fama após lançar My Princess Boy (Meu Menino Princesa), livro infantil inspirado no filho dela, Dyson, que adorava correr, subir em árvores e jogar bola, só que, de preferência, usando um vestido. Quando Dyson, aos 2 anos, manifestou a vontade, Cheryl encarou como um problema até que o filho mais velho dela, de apenas 5 anos, disse à mãe: “Por que você não o deixa ser feliz?”. “Não temos nenhum arrependimento. Se apoiamos Dyson hoje e mais tarde ele muda de ideia e para de se vestir como menina, ele pode olhar para o passado e dizer: ‘Não acredito que eu fiz isso um dia, mas que bom que meus pais e meu irmão me apoiaram e sempre me amaram’. Ou, se ele continuar a ser como é, poderá dizer: ‘Que bom que meus pais e meu irmão me apoiaram e me amaram desde pequeno, quando eu já gostava de me vestir como menina’,” disse Cheryl à CRESCER na época do lançamento, em 2011.
No início deste ano os cinemas brasileiros receberam um filme que tem como tema um caso parecido, só que ao contrário: o francês Tomboy (ainda sem previsão de sair em DVD), da aclamada diretora Céline Sciamma. O nome vem de uma expressão usada para meninas que gostam de se vestir como meninos e, no enredo, Laure quer ser um deles, jogar bola como eles, ter seus trejeitos e até – por que não? – aceitar uma paixão pré-adolescente com uma garota. O filme trata tudo com tamanha sensibilidade que o espectador é capaz de se colocar no lugar da menina-menino e dos pais que até aceitam o seu jeito, mas se decepcionam quando descobrem que ela inventou para a turma do condomínio que seu nome era Mikael. No livro e no filme, um ponto em comum: o apoio dos pais.
Os “menines” são objeto de estudo da pesquisadora Clotilde, mas, dentro de casa, ela também vive conflitos de gênero. Mãe de Mel, 7 anos, e Pedro, 6, ela conta que o menino é mais afetivo e a filha, no entanto, é mais pragmática. Um dia, disse à mãe: “Ah, eu sei que não sou uma lady”. “Ela já entendeu que existe um padrão. Mas não é tudo tão tranquilo para mim. Queria colocar brilhos nela, mas ela não curte!”
Na família da dona de casa Flávia Muraca também acontecem muitas surpresas. Sua filha Catarina, 8 anos, está fora dos padrões. A vida dela não tem cor-de-rosa e nunca houve aulas de balé. Faz futebol e quer ser baterista quando crescer. No dia que era para ir com a roupa que quisesse na escola, decidiu usar o uniforme do Corinthians. “Ela não é agressiva, embora seja mais agitada que uma menina comum. Mas desde 1 ano e pouco, diz que não gosta de rosa. Aos 3, já brigava comigo por causa de roupa”, diz Flávia, que acredita que a filha, na verdade, trafega com tranquilidade nos universos feminino e masculino. O que a incomoda é fechar possibilidades. Pois ela já teve fantasia da princesa Bela, brinca de boneca, ama o Justin Bieber e no momento está de olho grande no batom de marca francesa da mãe. “Eu lido bem e a escola também. Gostam da irreverência dela. Em uma festa à fantasia, ela quis ir de cotonete e bolamos uma roupa juntas que a fez ganhar o segundo lugar em criatividade!” Por mais que Flávia lide bem com o assunto, vez ou outra a família questiona a conduta inesperada de Catarina, e isso não é um problema para ela. Muitas vezes é preciso vencer também as expectativas dos que estão em volta.
O que a convivência ensina
Como, na maioria das vezes, as crianças são estimuladas conforme a questão dos gêneros, há muito o que meninos e meninas possam aprender um com outro
De menina para menino
• demonstrar amor com pequenos carinhos, beijinhos e abraços torna a criança mais confiante
brincar com coisas delicadas exerce a coordenação motora fina
chorar faz bem e não é preciso mostrar o tempo todo que somos infalíveis
brincar de boneca e casinha é uma ótima maneira de aprender a cuidar de alguém quando adultos
ter capricho e cuidar da aparência ajuda na autoestima e é até um estímulo à criatividade
De menino para menina
lutar pelo que quer será um grande aprendizado tanto na infância quanto pela vida toda
correr, pular e explorar territórios estimula a percepção espacial e a prepara para desafios brincar com jogos de estratégia estimula a capacidade de raciocínio e a busca de alternativas
usar ferramentas mais pesadas treina o corpo para suportar pesos
a paixão pela ciência e pela matemática pode abrir novos caminhos para a curiosidade e para a vida
Brincar do que quiser
Se seu filho ou filha perguntasse a você do que pode brincar, sua resposta seria diferente conforme o sexo deles? Fizemos essa pergunta a cerca de 20 pais e mães. A maioria afirmou que os filhos já tiveram oportunidade de vencer os rótulos, sim, embora simplesmente se sintam atraídos pelas bonecas e panelinhas, ou carros e bolas. Como tem um casal, para a designer Luciana Fernandes da Silva, mãe de Maia, 6 anos, e Bernardo, 2, é fácil a exploração ultrapassar os padrões. “O Bernardo e a Maia brincam juntos bastante, inclusive de casinha”, conta. Mas a inocência do garoto resultou em uma situação inusitada: em um dia de levar brinquedo na escola, Bernardo escolheu uma boneca. “Ela está perdida até hoje, provavelmente a professora mandou para a casa de alguma menina”, diz.
Esse dilema faz parte também do processo de criação e desenvolvimento de brinquedos, como contam dois executivos das maiores empresas de brinquedos do mundo, Michael Shore, vice-presidente da área que cuida da percepção dos consumidores da Mattel (fabricante de Barbie e Hotwheels), e Robério Esteves, diretor de operações da Lego no Brasil. Qualquer lançamento novo ou reformulação é baseado em pesquisas com crianças e famílias de vários cantos do planeta. As preferências, segundo eles, são observadas e atendidas, não provocadas pelos produtos. “Quando as crianças são bem pequenas, sua identidade de gênero é menos desenvolvida, e passa a despontar a partir dos 3 anos. Entre 8 e 9, as preferências mudam e voltam a ser menos estereotipadas”, diz Michael Shore. E a Lego acaba de lançar a Lego Friends, uma linha dedicada somente às meninas, com cenários em tons de rosa e lilás e profissões como veterinária, escola de design e superstar. “Era uma demanda dos consumidores, identificada em uma pesquisa que durou quatro anos e foi feita com mais de 800 mães e garotas do mundo todo”, afirma Robério. Por outro lado, grupos feministas de vários cantos do mundo criaram uma petição online contra o produto, acusando a empresa de reforçar os estereótipos.
Falar em brinquedos hoje é puxar a polêmica: a indústria dita as regras no quarto das crianças ou é o inverso? Por mais que os fabricantes afirmem que seu papel é observar e refletir a sociedade, essa foi uma das discussões centrais da Feira de Brinquedos de Nuremberg de 2011, a maior do mundo, sob a batuta do norte-americano Richard Gottlieb, renomado consultor desse mercado. “A indústria está criativamente e financeiramente presa em um padrão de gênero nos produtos, embalagens e propaganda estabelecidos há mais de 100 anos, pelas primeiras lojas especializadas nos Estados Unidos e pelos fabricantes de brinquedos da Alemanha. Esses homens (e eram todos homens) criaram um modelo que polarizou os brinquedos em estereótipos”, repete Gottlieb em seus discursos e artigos. “As crianças só não brincam de qualquer coisa porque a cultura faz uma intervenção violenta para que, muitas vezes, nem sequer experimentem”, diz Jane Felipe, professora do Departamento de Estudos Especializados da Faculdade de Educação da UFRGS.
Diferentes por natureza
Você sabia que o cérebro e o corpo de meninos e meninas não se desenvolvem da mesma maneira? Isso poderia explicar algumas das diferenças biológicas entre eles
A MATURAÇÃO DO CÉREBRO ACONTECE MAIS CEDO NAS MENINAS principalmente nas áreas que envolvem detalhes e expressão verbal. Já nos meninos, acontece mais tarde e nas regiões das habilidades de visão e espaço, o que poderia explicar por que existem mais homens pilotos de avião e engenheiros.
AS DIFERENÇAS BIOLÓGICAS DE MENINOS E MENINAS vão ser definidas geneticamente, onde entra também o papel dos hormônios no desenvolvimento das características sexuais dos indivíduos. Mas a personalidade e o comportamento vão ser definidos, sobretudo, pela interação cérebro-ambiente.
OS MENINOS EXPRESSAM SUA FORÇA FÍSICA por meio de lutas e brincadeiras mais duras. E isso começa por volta dos 3 anos, quando meninos e meninas passam a brincar em grupos separados, já que elas são mais delicadas e eles mais ativos. Uma das razões para essa diferença são os altos níveis de testosterona a que eles são expostos desde a gravidez. Mais uma vez, claro, os estímulos durante a vida vão dizer se ele será mais ou menos agressivo.
NO DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM, a testosterona também tem seu papel. Uma pesquisa australiana mostrou que os meninos com altos níveis do hormônio tiveram até três vezes mais chances de apresentar atraso na fala. Já as meninas, mesmo com níveis altos de testosterona, têm risco menor para o retardo.
Futuro mais equilibrado
Esteve no topo da lista do The New York Times ano passado o livro Cinderella Ate My Daughter (algo como Cinderela Engoliu Minha Filha, sem previsão para o Brasil), escrito pela jornalista americana Peggy Orenstein, sobre a filha Daisy, 5 anos, ser “massacrada” pelo mundo das princesas. Suas angústias fizeram coro a centenas de famílias. “Elas estão aprendendo que não devem ser as mais espertas, as mais inteligentes. E sim a mais fada de todas”, diz no livro, referindo-se à exigência de que as meninas sejam sempre delicadas e encantadoras. Ela conta que uma professora da Creighton University descobriu que metade dos meninos entre 5 e 13 anos, quando são conduzidos sozinhos a uma sala e ouvem que podem brincar do que quiser, escolhem tanto os brinquedos “de menina” quanto os “de menino”. Mas desde que acreditem que ninguém saiba. Especialmente o pai. E o que é mesmo mais aceito: uma menina gostar de jogar bola, subir em árvores e brincar com carros, ou um menino usar avental e fazer comidinha para as bonecas? Isso é um reflexo de séculos de preconceito em que tudo que está ligado ao feminino é inferior. Assim, como o masculino sempre foi mais valorizado, tudo bem se a menina estiver no universo “oposto”.
As mulheres fizeram sua revolução a partir dos anos 60, conquistaram espaços antes só dominados pelos homens, que assistiram a tudo passivos. Agora, o desafio dos novos casais é encontrar o ponto de equilíbrio entre as funções de cada um. De todos os conflitos, dividir as tarefas domésticas é o mais simbólico deles. Um estudo revelou que na Inglaterra existem dez vezes mais pais que ficam em casa hoje do que há dez anos. Mas nem todos comemoram: um em cada cinco diz que ficar em casa cuidando dos filhos faz com que eles se sintam “menos homens”. Isso porque a diferenciação da exigência para meninos e meninas ainda é forte e começa cedo, segundo a pedagoga Edileide Castro, autora de Afetividade e Limites (Ed. Wak). “Ainda hoje prevalece aquela ideia de que a mulher seria responsável pela casa, mas na realidade temos muitos rapazes morando sozinhos e precisando de habilidades que lhe faltaram na infância”, afirma. E, sabemos, homens casados também têm essa cobrança.
Na família do administrador de empresas Eramir Fernandes Junior, os estereótipos não tiveram muito espaço na criação dos filhos Talmai e Eramir. “Procurei educar os dois como pessoas equilibradas e não da menina frágil e do menino durão.” Parece ter dado resultado. A neta, Clara, ainda com 1 ano e 10 meses, já tem roupa de caveira e uniforme do time da casa. Isso porque a mãe dela quer dar o mesmo tipo de referência que recebeu. “Os exemplos dos pais farão nossos filhos tender para um jeito ou outro”, diz. E qual deveria ser, então, o foco de uma educação? Criar filhos melhores para o mundo. É esse o desejo do advogado Jefferson Xavier, pai de Ana Beatriz, 4 anos, e Maria Luiza, 1. A mais velha fez parte de uma classe na escola com meninos em sua maioria e diversificou nas brincadeiras: adora boneca e tem sonhos de princesa, mas corre e brinca de luta. “Queremos que elas se relacionem sempre de maneira respeitosa, sem preconceitos”, diz o pai. É um ciclo do bem: para vivermos em um mundo em que homens e mulheres tenham as mesmas experiências e cresçam juntos, temos que dar o primeiro passo, e criá-los respeitando suas características.
O que eu faço?
Neste tema, muitas vezes há situações difíceis de decidir como agir. Veja aqui três grandes dúvidas
Na classe da minha filha tem dez meninos e uma menina apenas. Devo pedir para mudar de classe ou até trocar de escola? A escola deve estar atenta a essas desigualdades, pois é muito importante equilibrar meninos e meninas, para forçar que a menina tenha presença diante dos meninos. Ela deve pensar em atividades que interessem a meninos e meninas, o que será bom até para eles. A diversidade agrega repertório para o aluno, evita futuros preconceitos e até facilita o aprendizado.
Como faço para estimular desde cedo a sensibilidade do meu filho, já que isso é tão valorizado no mercado de trabalho hoje? O ideal é que a gente não pense que a sensibilidade só pode ser atribuída à menina, e é isso que podemos mudar, para que meninos e meninas entrem em contato com seus sentimentos. Embalar a boneca e brincar de ser o pai da família, faz com que ele aprenda a ser afetuoso. Tem também que deixar ele chorar e falar sobre o que o está incomodando. Ajudam muito as artes, a música, a literatura: tudo para entrar em contato com os processos internos que muitas vezes se atribui ao feminino. No filme Billy Elliot, por exemplo, o menino gostava de balé e o pai o obrigava a lutar boxe. Só que, criado só por homens, ele aprendia a negar qualquer manifestação de sensibilidade e, no fim das contas, era um artista e uma criança adorável.
Minha filha é extremamente delicada, mas o mundo é cruel. Como faço para prepará-la para ir atrás do que quer? Continuar sendo delicada, sim, mas também ser esperta. Ela tem que saber que existem pessoas más, situações desagradáveis, e prepará-la para a frustração é importante. Incentive-a ser autossuficiente, estimulando atividades sozinha, independência gradativa, e, o mais importante: a sonhar com projetos próprios.
FONTE: REVISTA CRESCER
ESTOU DIVULGANDO PORQUE ACREDITO SER MUITO IMPORTANTE ESSA LEITURA.
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quarta-feira, 18 de julho de 2012
Apego demais faz mal pra você e para seu filho.
Pesquisa norte-americana concluiu que mães superprotetoras têm mais chance de serem deprimidas e estressadas
Ter um filho é uma das maiores realizações na vida de uma mulher. São tantos sentimentos novos, que é difícil lidar com tantas descobertas. Fácil mesmo é querer mantê-lo sempre perto, ao alcance dos nossos olhos. E aí que começa o maior desafio de todos: levantar as asas e criar os filhos para o mundo. Apesar de ser um árduo esforço, vale a pena e mais um estudo acaba de reforçar essa relação. Uma pesquisa realizada pela Universidade de Mary Washington, nos Estados Unidos, concluiu que as mulheres muito controladoras e que têm um apego excessivo com seus filhos têm mais chances de serem deprimidas ou estressadas.
Para chegar a esse resultado, os pesquisadores analisaram as respostas de 181 mães com filhos de até 5 anos. As entrevistadas que acreditam que a mãe é mais importante que o pai se mostraram menos satisfeitas com suas vidas e aquelas que acham que criar os filhos é um trabalho difícil estavam mais estressadas e deprimidas em relação às demais. Segundo os pesquisadores, os resultados sugerem que o cuidado excessivo com os filhos pode trazer malefícios para a saúde mental da mulher.
De acordo com a psicóloga Ana Lúcia Castello, do Hospital Sabará (SP), existem mães que transformam o vínculo com os filhos em apego exagerado. “Quando isso acontece, a mulher costuma achar que mais ninguém é capaz de cuidar da criança, nem o marido. Ela também tem dificuldade para se afastar do filho ou vê-lo crescer e se tornar mais independente", diz.
E essa relação pode, sim, trazer consequências para o equilíbrio mental da mãe. “Ela costuma ficar mais deprimida quando sente que está perdendo o controle sobre os filhos. Também se sente muito culpada quando sai para trabalhar”, diz Ana Lúcia. Ou seja, a mulher está sempre angustiada. E as crianças também sofrem com isso. “O prejuízo é para os dois lados. Crianças superprotegidas não conseguem desenvolver seu emocional de forma saudável e costumam ser mais inseguras e birrentas”, afirma.
É difícil perceber que algo está errado sozinha, mas ouvir o que o marido e a família têm a dizer sobre o seu comportamento é fundamental. E buscar ajuda vai ser importante para você e todos da casa. “A maioria das mães que procura tratamento consegue superar a insegurança”, diz a psicóloga. Aos poucos, você vai perceber que a sua relação com seu filho é muito mais forte do que você pode imaginar. Afinal, são nas sutilezas do dia a dia ao lado dele, em cada conversa, a cada exemplo, a cada descoberta, que o vínculo com seu filho se fortalece. E isso estará sempre com ele - perto ou longe de você.
Matéria retirada da revista CRESCER.
sábado, 24 de março de 2012
Manias - Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) em crianças
Crianças são cheias de manias. Você bem sabe disso. Só que essa característica também está ligada a quem tem o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Para diferenciar o que é próprio da fase do seu filho ou um problema é preciso observar a frequência em que essas manias acontecem. Ou seja, quando a criança simplesmente não consegue deixar de fazê-las e sofre com isso. Mas lembre-se: só um especialista pode dar o diagnóstico. Nem tudo é TOC. Para entender melhor sobre o transtorno, CRESCER conversou com a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, que recém-lançou Mentes e Manias (Ed. Fontanar/Objetiva R$ 34,90). Na obra, ela dedica um capítulo inteiro para falar do TOC na infância.
CRESCER – O TOC tem idade para começar?
Ana Beatriz Barbosa Silva – Geralmente, começa na adolescência, mas pode aparecer na infância também, entre 6 e 8 anos, em média. Essa é justamente a fase em que a criança começa a ser ver como indivíduo e parte de uma sociedade. Até então, ela achava que era uma extensão dos outros ao seu redor. E para esse amadurecimento natural é comum que ela adote certos rituais e apresente pensamentos obsessivos. Por exemplo: as crianças costumam temer muito a morte da mãe, então, elas coçam o nariz três vezes para protegê-la, ou só andam nas pedrinhas brancas quando estão na rua. Essas pequenas manias fazem parte do crescimento. O problema está quando, junto com elas, vem um alto nível de ansiedade - e o que era só esporádico vira rotineiro e passa a atrapalhar a socialização -, como aquela criança que não consegue ir para a casa de um amigo porque tem medo de deixar a mãe sozinha e algo de ruim acontecer com ela.
CRESCER – Como diferenciar manias de TOC?
A.B.B.S. – O TOC traz sofrimento. A criança não consegue deixar de repetir aquele ritual, e isso compromete a sua vida na escola, com a família, os amigos. É importante prestar atenção no seu filho e ver se aquelas manias típicas da infância não ultrapassam a linha do que é saudável ou não. Uma criança que tem pavor de se sujar, e precisa trocar de roupa imediatamente, e aquela que arruma o quarto de um modo que, se alguém mexer, ela se tornará explosiva, são casos que merecem atenção. Outro exemplo são aquelas que não admitem um erro: se escrevem uma palavra com a grafia incorreta, não são capazes de passar a borracha no caderno, arrancam a folha e começam tudo de novo. Mexer sistematicamente em machucados, arrancar as casquinhas ou fios de cabelo e pêlos da sobrancelha. Tudo isso pode ser indício de TOC. Mas essas coisas têm de envolver sofrimento, porque as crianças simplesmente não conseguem não fazer.
CRESCER – O TOC em crianças acontece da mesma forma que nos adultos?
A.B.B.S. – Nas crianças há o agravante de que elas ainda vivem em um mundo permeado por fantasia. Isso quer dizer que elas realmente acreditam que, se não ficarem o dia todo monitorando a mãe pelo celular, ela poderá morrer. O adulto, por outro lado, tem consciência de que os seus rituais não são lógicos, apesar de ambos não conseguirem controlá-los. Até por isso é mais fácil o diagnóstico nas crianças. Por mais que elas não falem abertamente sobre a questão, elas dão muito mais indícios. Já os adultos se sentem constrangidos e geralmente escondem o problema.
CRECER – Como o transtorno é desencadeado?
A.B.B.S. – É preciso ter uma predisposição genética para desenvolver TOC e algum fator que o desencadeie. Nas crianças, pode ser um estresse prolongado (que dure entre 1 e 2 anos), como a separação complicada dos pais, algum parente com uma doença séria, o bullying na escola. Crianças com essa carga genética também serão mais perfeccionistas e extremamente controladoras. Porém, o mais importante não é descobrir o que desencadeou o TOC, mas sim tratá-lo.
CRESCER – E como é o tratamento?
A.B.B.S. – O TOC é o transtorno que mais mexe com a taxa de serotonina, uma espécie de antidepressivo cerebral. Funciona assim: quanto mais baixo o nível de serotonina, maior a incidência de pensamentos negativos e obsessivos. Então, o primeiro passo é procurar um médico, já que o problema não melhora espontaneamente. O tratamento é medicamentoso e psicoterápico. Remédios para controlar a taxa de serotonina e terapia para expor a criança ao objeto de obsessão ou a situações que antes ela achava catastrófica – o objetivo é que ela perca completamente o medo e bloqueie o ciclo de pensamentos ruins. Por isso, os pais não podem ter preconceito em dar remédio para os filhos. No livro, uma mãe diz em seu depoimento que foi muito difícil a decisão de dar medicamentos psiquiátricos para o seu filho, mas, no fim, ela percebeu que era como se ele tomasse remédios para o coração, por exemplo. Ele teria que conviver com aquilo. Tratar o TOC na infância abre uma possibilidade enorme de que na idade adulta, fase mais crítica, o transtorno fique em um grau mais leve.
Fonte: Revista crescer - uma entrevista com a dra. Ana Beatriz - psiquiatra
É normal meu filho ter um amigo imaginário?
De repente, você ouve seu filho conversando sozinho. Quando pergunta com quem ele está falando, a resposta é objetiva: “Com o meu amigo, é claro!” Com o passar dos dias, ele pede para você colocar mais um prato na mesa, guarda um lugar no sofá e até briga com o amigo invisível. Se isso está acontecendo com seu filho, nada de entrar em pânico. O amigo imaginário, também conhecido como invisível, é um velho conhecido do universo infantil. A maioria das crianças entre 2 e 7 anos têm um. Eles fazem parte do desenvolvimento e só trazem benefícios.
Pesquisas mostram que os pequenos que têm um amigo imaginário desenvolvem um melhor vocabulário e melhores habilidades narrativas. Enquanto conversa com o seu “amigo secreto”, a criança cria histórias e brincadeiras e ainda ganha uma nova "companhia".
Eles são como um ensaio para o convívio real e você deve entrar na brincadeira de seu filho. "Esses seres funcionam como muletas para as crianças entrarem no mundo da realidade. Algumas criam e dão características que gostariam de ter. Outras transferem para o amigo os medos que não conseguem enfrentar", explica a psicopedagoga Maria Irene Maluf, especialista em educação especial. E você pode aproveitar essas “conversas” para conhecer mais seu filho.
Aos poucos, a criança vai perceber que é muito mais legal brincar com os amigos de verdade e a despedida acontece sem traumas. Só fique alerta caso ela prefira o amigo imaginário aos reais. Nesse caso, é melhor ouvir a opinião do pediatra.
Fonte: Revista crescer on line
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